Acordei tarde e a más horas, período iniciado por volta das onze e meia da manhã e prolongado por aí fora até que não seja possível comer fatias douradas ao pequeno-almoço. Penteie como pude os cabelos revoltos por voltas a mais na almofada e sonhos que fariam corar Freud, e desci as escadas com pezinhos de lã, ao que escadas não fizeram caso e rangeram indignadas. Fiz um mokambo forte e saí para o jardim...Da última vez que ali estivera ainda os arbustos secos tinham flores e as árvores frutos e fiquei muito espantada na minha condição de nova rapariga do campo com toda aquela revolução. O cenário pareceu-me muito desolador e dada que sou a melancolias parei um pouco para pensar nas coisas que passaram, mais as coisas que hão-de vir, um emaranhado de gentes e coisas que me encheu a cabeça ensonada. Passaram-me à frente dos olhos uns flashbacks manhosos dos tempos em que chegada sabe-se lá de onde, aterrei nesta minha terra por empréstimo. Abanei a cabeça, reprovadora, face àquela miúda tão dada a convívios embriagados com a gentes da terra, tão crédula face à promessa de aventuras numa vila fronteiriça e a quem os vocábulos próprios e o sotaque típico pareciam um linguajar exótico de uma Vera Cruz por descobrir. Lembrei-me vagamente, pela minha rica saúde, dos dramas e das fitas originadas pelo efeito novidade da chegada de uma forasteira cheia de boas intenções. Deu-me uma leve saudade dos concertos clandestinos de bandas de covers nas fumarentas caves das sociedades recreativas e dos jantares de cerveja barata e febras na brasa. Recordei sem custo as conversas sobre as personagens da terra, os escândalos e as estórias embaraçosas de uns e outros cujas caras desconhecia. Vieram-me à lembrança as noites quentes de Verão e as deambulações por ruelas cheias de um charme pitoresco e acolhedor, de braço dado e coração cheio com...foi nesse preciso momento que farta de tantas memórias de coisas e gentes não tão distantes quanto isso sacudi insistentemente as imagens que se seguiram com um gesto enérgico da minha mão livre. Parei de pensar porque já se fazia tarde e voltei para dentro de casa, convencida de que, por enquanto, este Alentejo cabe todo no meu quintal.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Espécie de evolução
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Conta-me Estórias: A vida é um milagre

segunda-feira, 19 de julho de 2010
Gestão de Expectativas ou A Analogia das bolas de Berlim do Sr João Pinto da praia de Carcavelos
*encontrada por alguém que, à semelhança de muito boa gente, não tem nada melhor para fazer do que pensar na vida (característica comum a quase todos os génios)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Espanhol para principiantes
terça-feira, 25 de maio de 2010
Namastê, ó palerma

Tão depressa estávamos num palácio ricamente decorado, comigo a declarar como te achava tanta piada com gestos de cabeça bamboleantes, como no momento seguinte já nos encontrávamos no cimo de uma montanha onde tu, em voz de falsete, me explicavas como a tua família nunca aceitaria que fosses beber uma imperial comigo. Tinhas vestido uma túnica branca e deixado crescer o bigode e eu agradecia a Ganesh por me ter feito tão gira. Que parvoíce! Gritei a certa altura, irritada. E à minha volta ninguém percebeu de onde viera repentina indignação. Abanei a cabeça e pensei para comigo… que se existia alguma semelhança entre esta nossa realidade e um clássico de Bollywood, só a encontrava na escassez de contacto físico.
sábado, 8 de maio de 2010
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sábado, 10 de abril de 2010
Esse papo seu já está de manha...
Sacudi as migalhas para a mão aberta em concha e deitei-as no lava loiças. Fui deitar-me. Calma e certa de que enquanto a emoção tarda e não vem….ao menos teremos sempre estas noites reconfortantes de chili e panaché.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Volto já
segunda-feira, 15 de março de 2010
Gregos e Troianos
Penso que já deu para perceber que sou uma influenciada, umas vezes mais outras vezes menos, relutante no entanto em ceder às opiniões pessoais, sempre sinceras, soltando um ocasional fuck social graces! e empreendendo em situações e atitudes só permitidas aos que se esforçam por viver uma vida, louvável de "don't know, don't care".
E mesmo sabendo que são esses os meus melhores momentos, aqueles dignos de uma curta-metragem a fazer lembrar um anúncio de cerveja, e que só aconteceram porque cortei as amarras que me prendiam às convenções sociais, como quando dou por mim a dançar freneticamente como que possuída por um espírito tribal, ou a rir e a contar piadas muito alto, ou a admitir gostar de algo que ninguém gosta, a verdade é que mais tarde ou mais cedo, alguma opinião mais acutilante vai, inevitavelmente levar-me a questionar certas coisas que tinha, bem, certas. E se me orgulho disso? Nem pensar! Luto contra tal com todas as minhas forças, positiva que estou desde a minha infância que me devo manter sempre fiel a mim mesma…
Além do mais sei bem que essa uma luta dificil, que requer agilidade mental e forte visão estratégica! E para o provar aqui estou eu... a escrever um texto impulsionado pelo simples facto de alguém (plural, singular, que importa?) não ter gostado lá muito dos meus últimos textos.
sábado, 13 de março de 2010
Kiabos
domingo, 28 de fevereiro de 2010
I can go...with the flow?!
Enfim, uma coisa é certa, se acaso estiver por aí algum Nuno Crato wannabe capaz de pôr estas ideias numa fórmula matemática de aplicação directa, ficar-lhe-ei eternamente agradecida, e prometo, se isto o fizer feliz, que não usarei nenhum tipo de cábula!
sábado, 13 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Cansei de você, sexy
E a verdade é que os homens, ou rapazes, bonitos da actualidade, fazem insinuações atractivas com a mesma malícia provocante que o tal miúdo do sorriso, de antigamente, nos dava um rebuçado e nos perguntava se queríamos ser a namorada dele. A única diferença é que já não damos tanto valor a flocos de neve amachucados e sabemos muito bem que esses rebuçados não foram guardados romanticamente só para nós, mas sim que sobraram de algum saquinho de festa de anos.
Os homens que já quis bonitos, hoje*…não fazem o meu género.
E a partir de agora, só aceito convites de corcundas e desdentados.
*mas só hoje
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Fórmula de Sucesso pós-exames
Aqui seguem seis incriveis passos que, se não fizerem de ti, estudante universitário frustrado, uma melhor pessoa e um melhor aluno, ao menos ajudar-te-ão a lidar com o fracasso.
A situação é esta, acabaste de fazer o exame da época de recurso de uma disciplina essencial à finalização do teu curso e correu-te mesmo muito mal:
1º Lamenta-te o mais que puderes durante cinco minutos, gesticula efusivamente, tapa os olhos com as mãos e finge que estás a chorar, faz uso daqueles nomes feios que aprendeste no primeiro ciclo para descrever os regentes das cadeiras e traça um futuro negro e pessimista envolvendo a tua vida amorosa e a forma como acabarás a viver o resto da tua vida numas águas furtadas na Brandoa com 20 gatos. Já está? Boa, agora chega que ninguém gosta de choramingas queixosos.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A Sardinha e o Cherne
Passa-se algo comigo, uma dicotomia engraçada, talvez não tão engraçada como a palavra dicotomia, que pode resumir-se ao facto de os meus dois peixes favoritos serem a sardinha e o cherne.
Os mais perspicazes perceberam já a minha intenção ao revelar tal aspecto da minha personalidade. Os outros, bom os outros com sorte, hão-de lá chegar.
Ora, de um lado temos a sardinha, brejeira, descarada, vadia, bairrista, que fica perfeita em cima de um pão, metáforas à parte. Do outro temos o cherne, elitista, requintado, de aspecto fino e delicado. E ambos não se misturam. A sardinha lá fica no seu bairro, na Madragoa, na festa de verão, e o cherne, esse, por certo não o apanharão numa tasca.
Analisadas bem as coisas, num acto introspecção que me aconselhou Maria Helena Martins na previsão para o mês de Janeiro, posso afirmar, sem dúvida alguma, ou talvez com uma ou duas, que estas minhas preferências, revelam com grande precisão a essência da minha personalidade. Também eu sou brejeira e descarada, e também eu sou, dependendo é claro do dia, requintada! O meu problema é que ao contrário da sardinha e do cherne, as minhas várias características…confundem-se. E então não é raro verem-me comportar como uma sardinha num local em que devia comportar-me como um cherne, e vice-versa.
E, se por um lado acho que faria melhor ao tentar equilibrar estas minhas duas facetas, por outro sinto-me uma espécie de rebelde sem causa, um James Dean no feminino, a mandar às urtigas as convenções sociais.
Para dizer a verdade, só ficarei um dia contente, quando ao jantar num restaurante mais fino, o garçon, elegante no seu pappillon e com o guardanapo no antebraço, me diga, numa voz ponderada, que a especialidade é...sardinha assada, ou quando no verão em plena romaria de noite de santos populares, me tentem vender por um euro e meio uma fatia de pão com cherne.
sábado, 9 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Abrázame a ti por Dios
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Vinte Anos
Hoje é dia quatro de Janeiro. Acordo às 10 da manhã, visto o que tinha planeado, na noite anterior antes de adormecer. O vestido preto que usei quando fiz vinte anos. Se fosse um desenho animado teria mais 10 vestidos iguais, como não sou, tenho só um e uso-o muitas vezes. Mas o dia de hoje não é meu, é de um amigo, meu. Vinte anos tem esse meu amigo. E hoje, dia quatro, faz anos. Vinte. E qualquer coisa… O que interessa é que tem vinte. E que para o ano vai voltar a fazer vinte (e qualquer coisa).
O almoço de comemoração acontece na tasca, a três quarteirões da faculdade, é regado a sangria, servida num jarro bastante sui generis, conversa animada na qual sucedem várias intromissões do empregado de mesa, que se acha, naturalmente, muito espertinho. As revelações mais promíscuas do reveilloin, vêm há baila. Este tema ainda consegue dar pano para mangas. E os pormenores ácidos contrastam com a doçura das vozes que os relatam. Gargalhadas e olhares de espanto são recorrentes.
Numa tasca não há velas nem mariquices que tais, por isso também não se cantam os parabéns. Não vá o diabo tecê-las. Valeram os trinta cêntimos de benesse do garçon, como gesto de pura simpatia pelo amigo aniversariante. Os presentes, esses, vieram mais tarde, já na companhia de uma chávena de chá de maçã-canela e num ambiente menos brejeiro. Mas antes que se fizesse tarde, todos regressam às suas casas, não vá alguém achá-los ridículos!