domingo, 15 de novembro de 2009

Downtown Benfica

Havia um plano, mais ou menos delineado… o sitio e o dia estavam marcados. Comprámos roupa nova, e desprendemo-nos da ideia de conforto com tal naturalidade que nem uma unha encravada constituiu problema ao uso de uns sapatos altos acabados de sair da loja. Tudo em nome da noite desejada. Desdenhámos as competências da nossa companhia, depois de se recusarem a vir buscar-nos. Mas lá fomos contrariadas apanhar o autocarro da carris, sujeitas a adversidades tais como a humidade do ar e as pedras irregulares da calçada. Mas tudo bem… chegámos ao destino. E com a atitude de quem pensa jantar esparguete com bacon tocámos insistentemente à campainha.
A mesa está posta… e não há tachos de alumínio, nem esparguete nem bacon. Surpreendentemente, os copos são de pé alto, há velas de cheiro, há uma travessa com pedaços de fruta, outra com carne, vários molhos e todos os utensílios do fondue harmoniosamente dispostos em cima de uma pequena mesa redonda. Brindámos a clichés ao som de blues… bebemos vinho do porto frutado e pegámos com classe nos copos... foi em Benfica mas podia ter sido num qualquer apartamento de tecto alto em Manhattan.

2 comentários:

Anónimo disse...

Adoro o realçe de todos os pormenores que nos escapam na rotina das nossas vidas... Traço comum na vossa escrita que não ficou indiferente neste post.
É bom poder observar a ilustração de uma mente feminina, numa noite em que (penso eu) todas as espectativas foram excedidas, fugindo ao facto de terem de vaguear nos vossos trajes por estrear. Aí reconheço a falha!
Mas devo dizer que a imprevisibilidade supera tudo.
Fico contente por fazer a diferença, e espero que não seja a última vez...

Zé-do-Telhado disse...

Palpita-me, e é a primeira vez que escrevo semelhante vocábulo, que isto por aqui vai começar a ganhar mais movimento. E olhem que eu, bazófia à parte, sou o rei dos palpites.
=)