quinta-feira, 13 de agosto de 2009

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Perdida no metro, esse espelho da cultura local, entre suecos naturalmente loiros e de olhos azuis, deu-me vontade de pertencer àquela cidade. E ilegalmente sentada no banco azul almofadado, com o meu bilhete de validade expirada na mão, pensei em como seria tão bom iniciar na chamada Veneza do Norte da Europa, uma vida de boémia e intelectual. Tal e qual aquelas pessoas que à superfície da cidade, deambulam de saco de pano ao ombro, máquina fotográfica ao pescoço e livro na mão. Pensei em como seria interessante arranjar uma bicicleta com cesto de verga, pôr lá dentro o gato, mais a toalha de pic-nic aos quadrados e a sandes de salmão fumado, e pedalar, contornando os turistas incautos, até à esplanada mais próxima. Ficar por lá a bebericar uma pilsener e a escrevinhar num caderno pautado frases soltas, ideias brilhantes ou, um pouco de ambição não faz mal a ninguém, a próxima grande obra da literatura europeia. Sim, que isto ao sonhar, acordado ou a dormir, não tem nada que se lhe pôr um freio. Os meus planos eram simples, arrendava um apartamento, na parte mais bonita da cidade, convidava uns amigos a viverem comigo numa casa com mobílias práticas e fáceis de montar IKEA, e era um ver se te avias de noites seguidas de dias agradáveis e estimulantes. Com esta ideia em mente parei na estação de Skanstull, convencida que para ir para a frente com tudo isso bastaria começar a apostar em força na lotaria nacional que a sorte encarregar-se-ia do resto. Até agora nada a registar. Talvez a sorte ache que ainda não estou preparada para deixar para trás as paisagens bucólicas do interior, ou a tão invejada luz da nossa capital mais a sardinha assada e a moamba, para passar a viver numa cidade em que amanhece às 4 da madrugada. Talvez, talvez…E enquanto isso os foguetes rebentam lá fora, a assinalar a festa, que por aqui se quer brava, em que os touros, os toureiros e os civis inconscientes de mão dada com o vinho tinto, são os protagonistas, com fado vadio e música popular como impulsionadores das longas, e por enquanto quentes, noites de Agosto.

1 comentário:

Zé-do-Telhado disse...

As noites quentes de Agosto têm lugar cativo na gaveta da saudade.