
Lá em baixo o reboliço da gente, o som dos passos apressados na calçada. Cá em cima a luz de um Verão intermitente, a doce preguiça, a vontade de não fazer nada.
Peço-te que fiques mais um pouco, que te demores nas cores da paisagem. (Olhas fixamente as casas mas não reparas nos telhados, lá ao fundo vês os prédios altos mas escapam-te as janelas).
Não me interessa o que vês ou não, no que reparas ou no que só finges olhar. Chega-me que o dia passe por nós e ali deixados - fiquemos, perdidos um no outro, com Lisboa como uma desenvergonhada desculpa.