quinta-feira, 29 de outubro de 2009

麻雀


Vinte e muitos de Outubro, o mês por excelência da castanha, do encurtar dos dias, de uma melancolia sublime que se sente nos olhares e nos sabores. O calendário marca Outono. Mas parece ainda Verão. Sempre ouvi dizer que um Outubro quente não traz boa coisa. Mas não me queixo.

A noite é bem temperada, tornando-se mesmo ofegante em certos momentos. Manga curta, roupa leve, não destoamos e damos nas vistas. Hong-Kong é o mote. E seguimo-lo (quase) à risca… Digamos que vamos na onda dos olhos em bico. China e Japão para nós, é como Portugal e Espanha para os americanos - a mesma coisa.

A última garfada (os pauzinhos são bons é para prender o cabelo) de mussaka ainda não chegou ao estômago e já estamos em passo acelerado rumo ao metro mais próximo. Começou a corrida. Damos graças pela pontualidade dos outros (também) não ser britânica e por termos uns sapatos de boa qualidade. Chegamos a tempo, o filme ainda não começou! A comunidade chinesa ainda nem se quer entrou.

Sparrow, é o filme. Um filme que tem uma óptima banda sonora. Mas o importante a reter é: se um pardal vos entrar pela janela dentro enxotem-no imediatamente ou poderão acontecer-vos coisas muito más. Foi no mínimo um melodrama surpreendente numa bela noite de Outono.

domingo, 11 de outubro de 2009

Por aqui




segunda-feira, 28 de setembro de 2009

(fuga à) Rotina

E se alguns, numa fase mais turbulenta, andam cabisbaixos e macambúzios, melancólicos até mais não, devido a terríveis quezílias familiares que nos põem a mal com outros e principalmente com nós próprios, tudo por causa de desavenças políticas…outros há que está-me cá a parecer não podiam estar melhor. Falo de uma amiga de cabelos esvoaçantes que flutua pelos corredores da faculdade, alheia, (diz ela) aos olhares sugestivos de certas pessoas, e que, num gesto incompreensível, faz de tudo um pouco para evitar os encontros imediatos com as pessoas certas. No entanto, e se me é possível fazer um reparo, é vê-la ter longas conversas com pessoas com as quais não nos lembraríamos sequer de trocar duas palavras. Mas é assim a minha amiga. Cada um é como cada qual. E qual quê se ela se dá mal com isso. É ver o acaso a trocar-lhe as voltas, o destino, ou como lhe queiram chamar, a fazer-lhe um jeito, as coincidências unidas em torno de um só objectivo: fazer-lhe aquela vontade inconsciente, ou conscientemente ocultada, e ai que chatice lá tem ela de partilhar apontamentos, trabalhos e conversas de ocasião com alguém, aparentemente bastante interessante, que, sabe-se lá porquê, acabou por não desaparecer por um semestre a fim de treinar o seu mandarim. E se isto importa? Sim! Porque todos sabemos como é difícil encontrar um incentivo para nos levantarmos de madrugada, de olhos pequeninos e cabelos desalinhados, despacharmo-nos a custo com a cabeça ainda nalgum sonho mais estranho, esperarmos tempo indeterminado nas paragens, sermos empurrados como gado bovino por entre as portas automáticas dos metropolitanos apinhados de gente, tudo para chegarmos ao mesmo sítio onde inevitavelmente veremos as mesmas pessoas olá-tudo-bem-ta-tudo-e-contigo, e fazermos, com uma outra variante mais louca e inesperada (possível mas muito raro) as mesmas coisas.
E se querem que vos diga hoje até nem foi um mau dia....afinal nem todos se podem gabar de ter comido um empada de porco preto.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Subalternos

Ao que parecia a ordem vinha de cima. De onde, afinal, vêm quase sempre todas as ordens. Mas de cima de onde, perguntei levantando a parte direita do lábio e deixando-a assim durante um bocado para expressar a minha incredulidade e nojo, agravados por cinco horas de espera, e caso tivesse mesmo que ser, eu até nem queria, iminência de conflito. Parecendo adivinhar o que o esperava, o homem dentro da farda de segurança parou de mascar a pastilha olhou para o lado e numa postura de Calimero soltou a máxima de quem recebe ordens de cima, “oh menina, eu só faço o que me mandam, se entra aí alguém eu é que me lixo”. E podia jurar que no fim dessa explicação ainda houve espaço para um repuxar de saliva mas posso ter imaginado, afinal, já eram muitas as horas a fixar paredes e chão alcatifado. Com tais argumentos não tive mesmo alternativa senão levantar-me. As ordens eram claras e precisas, ali, naquele estabelecimento da carris onde sobejava a tensão e escasseavam as cadeiras, ninguém se podia sentar no chão.
Saltando todos os dramas reais do quotidiano inerentes à obtenção de um passe, que ligam os exasperados cidadãos uns aos outros criando laços de afectividade tão fortes como efémeros, e que permitem a senhoras de sessenta e cinco anos dissertar não só sobre o filho e o seu hobbie favorito: tunning de computadores mas também de forma detalhada sobre as suas intervenções cirúrgicas sem qualquer peso na consciência pelo mal que faz ouvir coisas que não nos interessam…foi agradável voltar à capital.

E que gostinho especial o de passear por uma rua Augusta cheia de turistas e estudantes erasmus, entusiasmados e sorridentes ao verem pela primeira vez um rapaz a tocar acordeon com um cãozinho ao ombro, tagarelando no seu sotaque estrangeiro enquanto flutuam despreocupados sobre a calçada, e dar por mim, no meio disto tudo, a desejar sem qualquer ponderação profunda que não se desista do TGV.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

...


Perdida no metro, esse espelho da cultura local, entre suecos naturalmente loiros e de olhos azuis, deu-me vontade de pertencer àquela cidade. E ilegalmente sentada no banco azul almofadado, com o meu bilhete de validade expirada na mão, pensei em como seria tão bom iniciar na chamada Veneza do Norte da Europa, uma vida de boémia e intelectual. Tal e qual aquelas pessoas que à superfície da cidade, deambulam de saco de pano ao ombro, máquina fotográfica ao pescoço e livro na mão. Pensei em como seria interessante arranjar uma bicicleta com cesto de verga, pôr lá dentro o gato, mais a toalha de pic-nic aos quadrados e a sandes de salmão fumado, e pedalar, contornando os turistas incautos, até à esplanada mais próxima. Ficar por lá a bebericar uma pilsener e a escrevinhar num caderno pautado frases soltas, ideias brilhantes ou, um pouco de ambição não faz mal a ninguém, a próxima grande obra da literatura europeia. Sim, que isto ao sonhar, acordado ou a dormir, não tem nada que se lhe pôr um freio. Os meus planos eram simples, arrendava um apartamento, na parte mais bonita da cidade, convidava uns amigos a viverem comigo numa casa com mobílias práticas e fáceis de montar IKEA, e era um ver se te avias de noites seguidas de dias agradáveis e estimulantes. Com esta ideia em mente parei na estação de Skanstull, convencida que para ir para a frente com tudo isso bastaria começar a apostar em força na lotaria nacional que a sorte encarregar-se-ia do resto. Até agora nada a registar. Talvez a sorte ache que ainda não estou preparada para deixar para trás as paisagens bucólicas do interior, ou a tão invejada luz da nossa capital mais a sardinha assada e a moamba, para passar a viver numa cidade em que amanhece às 4 da madrugada. Talvez, talvez…E enquanto isso os foguetes rebentam lá fora, a assinalar a festa, que por aqui se quer brava, em que os touros, os toureiros e os civis inconscientes de mão dada com o vinho tinto, são os protagonistas, com fado vadio e música popular como impulsionadores das longas, e por enquanto quentes, noites de Agosto.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Stockholm





segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ora desta vez apeteceu-me fazer um desenho

Vamos assumir que esta sou eu, em situações normais.
(olhem para mim tão alegre e sorridente)




Pronto.

Agora...Esta aqui debaixo também sou eu mas desta vez numa situação extraordinária.
(reparem como a minha expressão se altera)



E é assim que a coisa se tem processado nos últimos dias...a minha inspiração sugada, sem dó nem piedade, pelo colorido sistema rodoviário.