Esticava os cabelos de caracóis anárquicos em suaves madeixas loiras, que puxaria para trás a cada dois segundos. Por ti, mudava o nome para Carlota, adicionava um Joaquina, mais um, dois, quem sabe até três nomes estrangeiros. E fazia com que me tratassem pelo diminutivo mais o nome mais sugestivo e importante. Por ti, ao teu lado, trocava o riso alarve pelo sorriso aberto, branco, branqueado, brilhante, na minha pele morena de solário. E substituía o subtil pelo sugestivo, trocava-te as voltas, entre insinuações e disfarces, num flirt manejado com arte. Por ti conduzia um smart. Preto, dois lugares, com o labrador pura raça no teu colo, mais a prancha no tejadilho, e prometo, ia a todos os teus treinos de râguebi. Por ti…aos teus pais, escondia o tolo orgulho de crescer nos subúrbios, Cascais! mentiria eu, em tom afectado, quando em coro me perguntassem onde nasci. Por ti, abdicava da cerveja, gelada, e só bebia vodka limão. Por ti punha de lado a ridícula necessidade de ser diferente e aderia ao padrão. Menina boa, rica família, um cavalo. Por ti, e por esse teu jeito desajeitado e preguiçoso de ser, criava uma conta no Facebook, deixava de lado os All-star gastos e só calçava Timberland, Merrel e uns flip-flop bem altos no Verão.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Tomás (nome fictício)
Esticava os cabelos de caracóis anárquicos em suaves madeixas loiras, que puxaria para trás a cada dois segundos. Por ti, mudava o nome para Carlota, adicionava um Joaquina, mais um, dois, quem sabe até três nomes estrangeiros. E fazia com que me tratassem pelo diminutivo mais o nome mais sugestivo e importante. Por ti, ao teu lado, trocava o riso alarve pelo sorriso aberto, branco, branqueado, brilhante, na minha pele morena de solário. E substituía o subtil pelo sugestivo, trocava-te as voltas, entre insinuações e disfarces, num flirt manejado com arte. Por ti conduzia um smart. Preto, dois lugares, com o labrador pura raça no teu colo, mais a prancha no tejadilho, e prometo, ia a todos os teus treinos de râguebi. Por ti…aos teus pais, escondia o tolo orgulho de crescer nos subúrbios, Cascais! mentiria eu, em tom afectado, quando em coro me perguntassem onde nasci. Por ti, abdicava da cerveja, gelada, e só bebia vodka limão. Por ti punha de lado a ridícula necessidade de ser diferente e aderia ao padrão. Menina boa, rica família, um cavalo. Por ti, e por esse teu jeito desajeitado e preguiçoso de ser, criava uma conta no Facebook, deixava de lado os All-star gastos e só calçava Timberland, Merrel e uns flip-flop bem altos no Verão.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
麻雀

Vinte e muitos de Outubro, o mês por excelência da castanha, do encurtar dos dias, de uma melancolia sublime que se sente nos olhares e nos sabores. O calendário marca Outono. Mas parece ainda Verão. Sempre ouvi dizer que um Outubro quente não traz boa coisa. Mas não me queixo.
A noite é bem temperada, tornando-se mesmo ofegante em certos momentos. Manga curta, roupa leve, não destoamos e damos nas vistas. Hong-Kong é o mote. E seguimo-lo (quase) à risca… Digamos que vamos na onda dos olhos em bico. China e Japão para nós, é como Portugal e Espanha para os americanos - a mesma coisa.
A última garfada (os pauzinhos são bons é para prender o cabelo) de mussaka ainda não chegou ao estômago e já estamos em passo acelerado rumo ao metro mais próximo. Começou a corrida. Damos graças pela pontualidade dos outros (também) não ser britânica e por termos uns sapatos de boa qualidade. Chegamos a tempo, o filme ainda não começou! A comunidade chinesa ainda nem se quer entrou.
Sparrow, é o filme. Um filme que tem uma óptima banda sonora. Mas o importante a reter é: se um pardal vos entrar pela janela dentro enxotem-no imediatamente ou poderão acontecer-vos coisas muito más. Foi no mínimo um melodrama surpreendente numa bela noite de Outono.
domingo, 11 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
(fuga à) Rotina
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Subalternos
Saltando todos os dramas reais do quotidiano inerentes à obtenção de um passe, que ligam os exasperados cidadãos uns aos outros criando laços de afectividade tão fortes como efémeros, e que permitem a senhoras de sessenta e cinco anos dissertar não só sobre o filho e o seu hobbie favorito: tunning de computadores mas também de forma detalhada sobre as suas intervenções cirúrgicas sem qualquer peso na consciência pelo mal que faz ouvir coisas que não nos interessam…foi agradável voltar à capital.